[Resenha] As Crônicas de Nárnia - O sobrinho do mago | #BEDA8

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Com uma narrativa repleta de metáforas, “O Sobrinho do Mago” desmistifica a história da criação de Nárnia e revela a origem do guarda-roupa

Para quem conferiu apenas os longas baseados na série de fantasia infantil escrita por C. S. Lewis, um dos maiores mistérios que envolvem o universo de As Crônicas de Nárnia é justamente como surgiu Nárnia. Mas também, quem nunca se perguntou por que o guarda-roupa é um portal para o estonteante e exótico mundo de Aslam?

Em 1950, quando C. S. Lewis publicou o primeiro dos sete romances que compõem a série, “O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa”, essas mesmas perguntas foram exploradas por leitores e pela a crítica. Sem a intenção de dar continuidade a história, o autor foi encorajado pelo próprio J. R. R. Tolkien, de quem era amigo íntimo, a contar mais sobre o mundo mágico que criara.

Foi a partir daí que C. S. Lewis iniciou um longo processo de escrita das demais obras que duraria 4 anos e retratariam os acontecimentos posteriores ao livro inicial, assim como as tramas anteriores, sanando dúvidas e amarrando as pontas soltas deixadas pelo primeiro livro.

Ironicamente, apesar de ter sido o penúltimo a ser publicado, “O Sobrinho do Mago”, primeira obra da saga na ordem cronológica da narrativa, foi o último livro da série a ser concluído por Lewis.

O enredo conta as aventuras de Digory Kirke e Polly Plummer, duas crianças londrinas, descobrindo novos mundos através de anéis mágicos criados pelo tio de Digory, André Ketterley. Após invadirem acidentalmente o escritório de Tio André, as crianças são obrigadas pelo próprio tio a utilizarem os anéis e descobrirem como viajar para outras dimensões.

Em meio as expedições entre os mundos, os pequenos conhecem o universo natal de Jadis, a feiticeira branca, e sua história antes de dominar o país de Aslam, presenciam o nascimento de Nárnia, além de serem os responsáveis pelos futuros problemas na terra mágica e pelas futuras viagens até o local.


A linguagem da obra é acessível e envolve as crianças em um universo fantástico. Como um recurso narrativo, por diversas vezes Lewis conversa diretamente com o leitor. Ele assume o papel de narrador. Essa técnica permite que a leitura resgate memórias emocionais da infância, quando os pais ou os avós liam ou contavam alguma história antes de colocar os pequenos para dormir.

O autor também tem preocupação de detalhar as emoções que as personagens sentem conforme as situações vividas, criando uma empatia e identificação com quem o lê. As narrações gráficas estimulam o imaginário e aguçam a percepção do leitor para um mundo de extrema beleza e magia construído através de delicadas notas musicais.

Apesar de duras críticas vindas de grupos cristãos, “O Sobrinho do Mago” é uma verdadeira ode ao primeiro livro da Bíblia, Gênesis. Cristão confesso, Lewis utilizou paralelos, metáforas e referências diretas às escrituras sagradas do cristianismo na composição do enredo. É impossível ler a obra e não comparar com a narrativa bíblica através dos detalhes e das cenas alusivas.

Entre as discussões envolvendo a série, assim como em Star Wars, uma das que mais ganham destaque em meio aos fãs da saga é a ordem que as obras devem ser lidas. Alguns dizem que deve ser de acordo com a cronologia do enredo, outros que deve seguir a ordem de publicação das crônicas. A verdade é que uma coisa é certa, um dos argumentos dos defensores da leitura por ordem de publicação é que “O Sobrinho do Mago” retrata Nárnia como se fosse uma terra conhecida. E sim! O narrador parte do pressuposto que o leitor já tenha tido contato com Nárnia e que ele conheça as aventuras retratadas em outras obras.

Alimentada pela curiosidade de desvendar os segredos do país de Aslam, a obra “O Sobrinho do Mago” é eficaz no papel de desnudar os mistérios e esclarecer pontos obscuros no livro de estreia da saga, “O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa”. Mais do que uma resposta às perguntas não respondidas, a obra também legitima a aura fantástica que envolve as aventuras relatadas nos demais livros e é parte fundamental, senão o destino inicial, de uma viagem de imersão à um reino inigualável e extraordinário.

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